A Utilização da Capacidade de Campo na Estimativa do Percolado Gerado no Aterro da Muribeca
Ano: 2004
Autor(es): Eduardo Antonio Maia Lins
Um dos principais problemas ambientais dos aterros é a liberação de percolado no local, resultando na contaminação do solo e da água. O percolado representa um dos vários fatores de risco para o meio ambiente, uma vez que este apresenta altas concentrações de matéria orgânica, bem como quantidades consideráveis de metais pesados. É um problema de poluição potencial para as águas superficiais e, principalmente, para as subterrâneas. A possibilidade do conhecimento da geração de chorume é importante para a avaliação do sistema de coleta e tratamento deste efluente nos aterros sanitários, onde estes sistemas devem atender ao volume de líquido produzido pela decomposição da matéria orgânica e ao que atravessa a massa de lixo, a fim de garantir a preservação das águas superficiais e dos lençóis freáticos.
Este trabalho tem como objetivo principal estimar, através de modelos empíricos, o volume de percolado gerado no Aterro da Muribeca, comparando a produção de percolado medida com a estimada através dos Métodos Suíço, Racional, Balanço Hídrico e o experimental, chamado de Método da Capacidade de Campo, onde este leva em consideração as capacidades de campo do solo e do lixo, e os teores de umidade do solo e do lixo.
Alguns métodos empíricos foram utilizados a fim de estimar o volume de percolado gerado no Aterro da Muribeca, dentre eles: o Método Suíço, Racional e do Balanço Hídrico. Para uma série histórica de 30 anos, o Método Racional e do Balanço Hídrico indicaram erros médios superiores a 200%, e, em épocas de déficit hídrico, indicaram uma vazão nula, o que não condizia com a realidade. Já o Método Suíço apresentou-se mais coerente, apresentando uma uniformidade na geração de percolado durante todo o ano. Os modelos empíricos utilizados na estimativa do percolado gerado não utilizam variáveis importantes como o teor de umidade e a capacidade de campo do lixo. O conhecimento da capacidade de campo do lixo é essencial para implementar um controle do teor total de umidade no aterro que influencia as condições de biodegradação e produção de metano.
Análises Físicas, Químicas e Biológicas no Estudo do Comportamento do Aterro da Muribeca
Ano: 2003
Autor(es): Veruschka Escarião Dessoles Monteiro
Análises Físicas, Químicas e Biológicas no Estudo do Comportamento do Aterro da Muribeca.
AVALIAÇÃO DA INFLUÊNCIA DA COMPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS NO COMPORTAMENTO DE ATERROS SIMULADOS
Ano: 2007
Autor(es): Perboyre Barbosa Alcântara
O desenvolvimento de pesquisas, envolvendo aterros em escala real, apresenta alguns inconvenientes, como: custo elevado, grande número de variáveis envolvidas no processo e a dinâmica de operação do aterro, que dificulta a obtenção sistemática de dados sob condições conhecidas ou controladas. Sendo assim, células experimentais de pequenas dimensões, simulando aterros sanitários, podem contribuir para a análise do comportamento de resíduos sólidos urbanos (RSU), possibilitando, para situações particulares, uma melhor avaliação de parâmetros físicos, químicos e microbiológicos durante a evolução do processo de biodegradação.
A presente pesquisa aborda o comportamento geral de aterros simulados (lisímetros) e o processo evolutivo de degradação dos resíduos aterrados, considerando-se as condições climáticas e a composição dos resíduos. Para isso, foram construídos dois lisímetros de formato cilíndrico, com um volume interno de, aproximadamente, 10 m3. Os experimentos, operados em condições de campo, foram montados na área do Aterro de Resíduos Sólidos de Muribeca, localizado no Município de Jaboatão dos Guararapes (PE), que faz parte da Região
Metropolitana do Recife. Um dos lisímetros foi construído em agosto de 2004, no final do período chuvoso, e o outro, em julho de 2005, em pleno período de chuvas. Em cada lisímetro, foi confinado um volume de, aproximadamente, 8 m3 de RSU, provenientes de três bairros da cidade do Recife-PE. No primeiro lisímetro, utilizaram-se resíduos com 45 % de matéria orgânica e, no outro, com 59 %. Foram analisados os dados da caracterização dos elementos que compõem os aterros simulados e os resultados do monitoramento de sólidos, líquidos e gases, que envolveu medições de campo (temperatura, recalques da massa de lixo e concentrações de CH4, CO2 e H2S) e coleta periódica de amostras para análises laboratoriais de vários parâmetros, como: teor de umidade, concentrações de microrganismos aeróbios e anaeróbios (celulolíticos, amilolíticos, proteolíticos, coliformes, Pseudomonas aeruginosa,
fungos) sólidos voláteis, Eh, pH, DBO, DQO, nitrato, amônia, metais, carbono, hidrogênio e nitrogênio.
Os resultados indicaram que as condições climáticas e a composição dos resíduos podem influir consideravelmente na evolução das concentrações de gases (CH4 e CO2), nas concentrações de microrganismos (hidrolíticos-fermentativos e anaeróbios totais), na magnitude dos recalques, na geração de lixiviado e na umidade dos resíduos e da camada de cobertura. E, ainda, o comportamento geral da grande maioria dos parâmetros analisados, nos dois experimentos, foi compatível com os resultados obtidos em aterros de RSU.
Caracterização do Chorume Produzido no Aterro da Muribeca-PE
Ano: 2004
Autor(es): Roberta Falcão De Cerqueira Paes
Este trabalho teve como objetivo caracterizar o chorume produzido no Aterro da Muribeca, localizado no município de Jaboatão dos Guararapes em Pernambuco, em células com resíduos aterrados há aproximadamente 16 anos (C1 e C2) e células mais novas com resíduos aterrados a aproximadamente 4 anos (C3 e C4); em 2 pontos ao longo do aterro onde o chorume escoava a céu aberto no Riacho de Chorume (P-2 e P- 21), o qual recebia o chorume e descarregava no Rio Muribequinha, e mais três pontos: P-C, P-D e P-A - chorume concentrado, chorume diluído e chorume afluente das lagoas da Estação de Tratamento de Chorume - ETC, respectivamente.
Foram utilizados dados coletados entre março de 1996 e agosto de 2002 dos seguintes parâmetros físicos e químicos: pH, alcalinidade, sólidos voláteis totais, DBO5, DQO, cloretos e metais pesados (cádmio, chumbo, cobalto, cobre, cromo, manganês e zinco). Os parâmetros microbiológicos estudados foram coliformes fecais e totais. Para a coleta do chorume nas células, foram instalados piezômetros (poços de coleta) a partir de furos de sondagem (SPT) em diferentes profundidades (C1: 5, 15 e 18m; C2: 15m; C3 e C4: 10m). A coleta nos outros pontos (P-2, P-21, P-C, P-D e P-A) foi superficial. Os resultados foram analisados associados com a precipitação pluviométrica e foi comparado o efeito da profundidade de coleta sobre esses parâmetros, assim como o efeito da idade da célula. Análises estatísticas foram utilizadas para os parâmetros físicos e químicos das células do Aterro da Muribeca; o método matrizes de correlação foi elaborado para estabelecer o nível de significância entre esses parâmetros e a precipitação pluviométrica. O método não-paramétrico Kruskal-Wallis (SOKAL & ROLHF, 1981) foi usado para verificar se a variação dos parâmetros foi semelhante entre as diferentes células.
As células mais antigas (C1 e C2) apresentaram menores valores para os diferentes parâmetros (DBO5: C1 entre 59 e 2.673mg/l; C2 entre 469 e 6.683mg/l e DQO: C1 variou entre 679 e 12.071mg/l e C2 entre 3.975 e 16.500mg/l) comparados aos das células mais recentes (C3 e C4) (DBO5: C3 entre 147 e 4.552 e C4 variou entre 2.680 e 18.850mg/l; DQO: C3 entre 6.694 e 16.100mg/l e C4 entre 6.250 e 37.900mg/l), devido as primeiras estarem em um processo avançado de degradação da matéria orgânica, visto que vários parâmetros de qualidade (pH, DBO5, DQO entre outros) são influenciados pela idade dos resíduos aterrados. No geral, a medida que avança o processo de decomposição aumenta o pH até valores médios de 8,0 e decrescem a DBO5 e a DQO, sendo o quociente DBO5/DQO em torno de 0,2 para material mais estabilizado. Observaram-se também flutuações desses valores.
Os pontos P-2 e P-21 (chorume efluente das células do aterro que escoam a céu aberto) apresentaram valores menores de DBO5 (P2 entre 134 e 3.316mg/l e P21 entre 22 e 1.295mg/l) e DQO (P2 entre 1.236 e 5.959mg/l e P21 entre 170 e 5.985), provavelmente devido à diluição causada pela chuva. Os pontos P-C, P-D e P-A apresentaram valores maiores que em P-2 e P-21 de pH, cloretos, cádmio, cobalto, cobre, cromo e zinco, porém menores que nos piezômetros. Como as amostras foram coletadas a céu aberto, o chorume encontrava-se mais diluído que nas células, porém em estágio de diluição menor do que no Riacho de Chorume.
O teste de Kruskal-Wallis mostrou que células com mesma idade e mesma profundidade de coleta apresentaram comportamentos semelhantes para os parâmetros analisados. Já o conjunto de células com diferentes idades e profundidades de coleta não apresentaram comportamento semelhante. Nas matrizes de correlação, foi observado que, quanto maior o número de piezômetros estudados, maior o número de correlações significativas. O conhecimento da composição do chorume do aterro é muito importante para conhecer o grau de contaminação e prever o impacto que o mesmo pode ocasionar ao meio ambiente, além de ser fundamental na escolha da melhor forma de tratamento.
Desempenho de um Sistema de Lagoas de Estabilização na Redução da Carga Orgânica do Percolado Gerado no Aterro da Muribeca (PE)
Ano: 2005
Autor(es): Elisângela Maria Rodrigues Rocha
O estudo foi realizado na Estação de Tratamento de Chorume (ETC) do Aterro da Muribeca (PE), o qual recebe os resíduos das cidades de Recife e Jaboatão dos Guararapes. O objetivo foi analisar o comportamento do Sistema de Lagoas de Estabilização para remoção da matéria orgânica presente no percolado da ETC, a partir das análises dos parâmetros fisicos-químicos: DBO5, DQO e Sólidos Suspensos de cada lagoa. Além dos parâmetros físico-químicos, foi analisado, o pH de cada lagoa, a influência da precipitação na vazão de entrada na ETC, bem como, os parâmetros como: tempo de detenção hidráulico (TDH), coeficiente de remoção (K) em termos de DBO5 e DQO, carga orgânica (Λv) e taxa de aplicação de superficial (Ls). Os resultados mostraram que, o percolado é um efluente com pH alcalino e caracterizou-se, quanto à relação DBO5/DQO, como um efluente de medianamente a difícil biodegradabilidade. A vazão influenciou diretamente e paulatinamente na vazão, e consequentemente na carga orgânica volumétrica e superficial das lagoas, bem como, no tempo de detenção hidráulico calculado. Os melhores tempos de detenção hidráulicos calculados foram: Lagoa de Decantação =10,1 dias; Lagoa Anaeróbia = 7 dias; Lagoa Facultativa 1 = 7,2 dias; Lagoa Facultativa 2 = 8,3 dias e Lagoa Facultativa 3 = 9,4 dias. Ressalta-se que estes tempos de detenção encontrados foram considerando a vazão média das coletas semanais de 232,80 m3/dia. Os coeficientes de remoção (K) em termos de DBO5 e DQO para cada lagoa variaram entre, 0,079 e 0,384, para DBO5, e, entre 0,104 e 0,399 para DQO. A carga orgânica volumétrica média encontrada para
o período de janeiro a maio de 2004 foi 981,77 Kg DBO5/ m3*dia, enquanto que, a taxa de aplicação superficial para as lagoas facultativas foi 733,63 Kg DBO5/ há*dia.
Estudo da Geração, Percolação e Emissão de Gases no Aterro de Resíduos Solidos da Muribeca/PE
Ano: 2003
Autor(es): Felipe Jucá Maciel
A emissão incontrolada de gases em aterros de resíduos urbanos localizados próximos a zonas urbanas é um grave problema sócio-ambiental bastante comum nas grandes cidades brasileiras. Diversos impactos ambientais a níveis local e global podem ser gerados a partir da contaminação do ar atmosférico. Localmente, a população circunvizinha ao aterro é a mais prejudicada em virtude da constante convivência com odores desagradáveis, gases inflamáveis e até componentes tóxicos presentes no biogás. A nível global, o lançamento do biogás na atmosfera é uma das formas antrópicas de contribuição ao efeito estufa. A principal forma de evitar a passagem aleatória do biogás para a atmosfera é constituindo um adequado sistema de cobertura dos resíduos. O principal objetivo desta pesquisa foi o desenvolvimento de técnicas de laboratório e campo para contemplar o estudo da geração, percolação e emissão dos gases na camada de cobertura da Célula nº 8 do Aterro da Muribeca/PE. Esta cobertura é constituída por uma camada heterogênea de solo argiloso compactado que se encontra não saturada durante a maior parte do tempo. A investigação laboratorial foi concentrada na realização de diversos ensaios de permeabilidade do solo ao ar por meio de um permeâmetro de parede flexível. Constatou-se que a permeabilidade do solo ao ar varia em função de diferentes parâmetros do solo, entre os quais: teor de umidade, densidade, estrutura e grau de saturação. Os resultados de permeabilidade encontrados neste estudo permitiram afirmar que uma significativa redução no lançamento de poluentes poderia ser obtida caso a cobertura da Célula nº 8 fosse compactada em torno da umidade ótima do solo e mantida por mais tempo com elevados graus de saturação. Com relação à investigação de campo, desenvolveu-se um novo ensaio da placa de fluxo para medição direta do fluxo de gases na cobertura. A estimativa de emissão de gases realizada com base nos seis ensaios da placa de fluxo foi da ordem de 540 kg de CH4 por dia. Apesar da inexistência da drenagem dos gases ter sido um fator negativo para a liberação de gases nesta Célula, este fato possibilitou a previsão das taxas de geração do biogás. O monitoramento da concentração e pressão dos gases também foi objeto de estudo. Nesta análise, verificou-se que os resíduos depositados nesta Célula encontram-se na fase metanogênica da decomposição com elevada presença dos gases CH4 e CO2 e que as pressões existentes na base da camada de cobertura foram baixíssimas em quase toda Célula.
GERAÇÃO DE BIOGÁS E ENERGIA EM ATERRO EXPERIMENTAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS
Ano: 2009
Autor(es): FELIPE JUCÁ MACIEL
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MSW composition suty of the Muribeca landfill test cell
Ano: 2007
Autor(es): Mariano M.O.H. Maciel F.L. Fucale S.P. Juca J.F.T. de Brito A.R.
The following project shows the results of the 9 first tests of gravimetric and volumetric composition of the waste that will be disposed in an experimental cell. The cell is to be built at Muribeca´s Landfill/PE with support of the P&D program of CHESF. Its main goal is the investigation of the energy recovery potential in Landfill. It is presented in this paper the methodology of the waste characterization, the truck rout selection and a statistics preliminary
analysis of the results. To start of it was selected 9 routs, 30 gravimetric and volumetric characterization tests are going to be carried on and 10 tests of chemical characterization of the
waste. It represents approximately 0.0128% of the waste amount that will be disposed in the experimental cell.
RECALQUES NO ATERRO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DA MURIBECA -PE
Ano: -
Autor(es): MARIA ODETE HOLANDA MARIANO
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Recalques no Aterro de Resíduos Sólidos da Muribeca-PE
Ano: 1999
Autor(es): Maria Odete Holanda Marian
No que se refere aos problemas geotécnicos, há de se considerar a necessidade de se obter uma superfície estável ou ao menos a previsão dos movimentos que ocorrem no aterro. Propriedades mecânicas como resistência ao cisalhamento e compressibilidade dependem da composição individual do material, das propriedades mecânicas dos constituintes, do estágio de decomposição da matéria orgânica e a grande dificuldade de serem determinadas reside na falta de uma metodologia adequada para a obtenção de amostras representativas e da mudança das propriedades com o tempo. Os resíduos depositados em aterros sofrem grandes recalques, aproximadamente 30% da sua altura inicial (Sowers, 1973), com o qual seu volume diminui e sua capacidade de armazenamento aumenta, estando aí uma das principais causas de se quantificar os recalques, o tempo em que este ocorrerá e sua velocidade, não apenas para aproveitar sua real capacidade de armazenamento, bem como, se poder fazer "previsões" na etapa de projeto. A necessidade de se determinar os recalques remanescentes, está no fato de se projetar a utilização do aterro depois de encerrada sua vida útil.
SISTEMA DE BARREIRA BIOQUÍMICA COMO ALTERNATIVA PARA O TRATAMENTO DE PERCOLADO
Ano: 2006
Autor(es): Keila Gislene Querino de Brito Beltrão
O tratamento de chorume in situ ainda não é uma prática comum no Brasil. Na maioria dos aterros o chorume é descartado nos corpos de água sem nenhum tipo de tratamento ou canalizado para ser tratado em estações de tratamento de esgoto (ETEs). Mesmo em aterros onde são tratados seus efluentes, através de processos químicos e/ou biológicos, nem sempre se consegue atingir os padrões de lançamento exigidos pela legislação ambiental. Desta forma, faz-se necessário encontrar alternativas viáveis para evitar ou minimizar a poluição dos rios bem como a sobrecarga nas ETEs causadas pelo chorume. Com esta finalidade, foi desenvolvido um sistema de tratamento terciário de baixo custo e fácil operação para auxiliar no tratamento in situ de chorume de aterro resíduos sólidos. A pesquisa aborda a concepção desse sistema cuja característica principal é o uso das técnicas de barreira reativa de solo e fitorremediação de forma consorciada. Para isso foram avaliadas duas células construídas e integradas à estação de tratamento de chorume do Aterro da Muribeca, nas quais foi colocado um leito de pedra, plantas aquáticas emergentes do tipo typha domingensis e barreira de solo permeável. No trabalho serão analisados os resultados do monitoramento de sólidos e líquidos que envolvem coleta periódica de amostras para análises laboratoriais com determinação de vários parâmetros como: teor de umidade, sólidos voláteis, pH, DBO, DQO, nitrato, amônia, teores de metais, entre outros.
Uma Análise de Recalques Associada à Biodegradação no Aterro de Resíduos Sólidos da Muribeca
Ano: 2003
Autor(es): Marcio Camargo de Melo
Os resíduos sólidos depositados em aterros têm diversas origens e são estruturalmente diferentes, quanto à sua composição química e física. Aliado a esta diferença estrutural tem-se fatores ambientais como temperatura, umidade, além de parâmetros internos à célula de lixo que influem na biodegradação dos resíduos.
Todos estes fatores direcionam a magnitude e velocidade dos recalques, já que a maior parcela dos recalques em aterros de resíduos sólidos urbanos é função da degradação biológica. Além dos recalques proporcionados pela degradação biológica da massa de lixo, tem-se os recalques que são função dos processos físicos e químicos. Os recalques que ocorrem no lixo podem ser divididos em imediatos, primários e secundários.
Em aterros de resíduos sólidos urbanos o recalque secundário, por ser mais longo, é, sem dúvida, o mais importante. A compressão secundária ocorre exclusivamente devido à biodegradação. Daí a importância de estudar os recalques correlacionando-os à biodegradação. O recalque secundário se prolonga com o tempo e está relacionado com o decaimento biológico e o progressivo reacomodamento do esqueleto sólido.
O objetivo neste trabalho foi estabelecer uma estreita correlação entre a microbiologia e a geotecnia ambiental, na tentativa de melhor compreender o fenômeno dos recalques em Aterros de Resíduos Sólidos.
Os estudos abordados neste trabalho referem-se à compreensão do comportamento dos recalques secundários ocorridos na Célula 4 do Aterro da Muribeca correlacionando-os a aspectos mecânicos, biodegradativos e climáticos. Com os resultados obtidos pôde-se verificar que na Célula 4 do Aterro da Muribeca tem-se recalques acelerados, pois as condições climáticas são favoráveis ao processo degradativo da matéria orgânica. Além disso, os recalques ocorreram em três etapas de comportamentos distintos, tanto nos recalques superficiais e, mais visivelmente, nos medidos em profundidade. Estas três etapas do comportamento dos recalques foi explicado através de relações diretas entre aspectos mecânicos, biodegradativos e climáticos.
A comparação dos recalques medidos e os previstos em um modelo matemático tem um bom ajuste de curvas, tanto para os recalques medidos em profundidade como os superficiais. Além disso, fez-se uma previsão dos recalques teóricos para um período de 5 anos após o período de medição.